Prancha descritiva - Reichenbachia



O nome
bicolor, por se tratar de planta que as flores possuem, acentuadamente, duas cores, afora a coluna do labelo que vai do branco ao roxo, sendo o labelo da cor púrpura.
Ocorrência
Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
Aspecto vegetativo
Planta bifoliada, apresentando, às vezes, três folhas. Os bulbos se assemelham muito com os da Cattleyas amethystoglossa, guttata e leopoldii, em forma de cana, chegando a mais de um metro de comprimento. As folhas são alongadas, semi-rígidas. As espatas são simples.
Flor
As flores se apresentam em grande quantidade e, se bem cultivada a planta, chegam a ultrapassar uma dúzia por haste floral. Os clones mais famosos, premiados pela American Orchid Society - AOS, apresentavam flores em torno de 8cm. de envergadura. Em 13/09/78, a AOS concedeu um AM (Award of Merit) de 84 pontos à planta de Jones & Scully, Inc., de Miami, Florida, EUA, que se apresentou com 4 flores de 8,40cm. cada, apenas numa haste floral, recebendo o clone o nome de 'Orchidglade". Quatro anos após, a mesma AOS concedeu outro AM de 84 pontos à planta de Wayne and Evelyn Bourdette, de Northport, Nova York, EUA, que se apresentou com 13 flores, de 7,90cm. cada, numa mesma haste. As flores apresentam diversidade na coloração das tépalas (pétalas+sépalas), indo do marrom/ocre ao verde. Os labelos variam do branco ao roxo. As flores são duráveis, apresentando-se em condições boas por cerca de 18 a 20 dias.
Atualmente está dividida em três tipos distintos: C. bicolor var. bicolor; C. bicolor var. minasgeraisensis e C. bicolor var. brasiliensis.
A época predominante da floração é o mês de março. Podendo adiantar ou atrasar cerca de um mês, dependendo do local e do cultivo.
A flor da Cattleya bicolor apresenta uma particularidade, não encontrada nas demais Cattleyas bifoliadas: o seu labelo não apresenta lóbulos laterais, com o que toda a coluna fica exposta. Outra característica importante para hibridadores é a força genética da planta, que leva o labelo conhecido como “língua de gato” para a descendência.
Perfume
As flores apresentam perfume delicado.
Pragas e doenças
Como as demais Cattleyas, é sujeita ao ataque de cochonilhas, que se alojam no dorso das folhas e em torno da espata floral, bem como nas bainhas que recobrem o pseudobulbo. O combate pode ser feito com óleo de neem e citronela, mediante pulverizações periódicas.
Cultivo
Devem ser cultivadas com bastante luz indireta, sendo recomendado o sombrite de 50%. A umidade relativa do ar deve ficar entre 60% e 80%. Preferem altitudes entre 600ms. e 1.200ms. Por isso estão acostumadas a uma variação de cerca de 8 graus entre a temperatura do dia e a da noite. Pode ser cultivada em vasos de barro ou de plástico, indo bem em cascas de peroba ou placas de fibras. Na falta do xaxim, atualmente proibido, a Cattleya bicolor aceita, satisfatoriamente, a mistura de 1/3 de casca de pinus bem picada, 1//3 de carvão vegetal em pedaços pequenos e 1/3 de cascalhinho de brita. O vaso deve ter no fundo cerca de 3cm. de dreno, que pode ser de cacos de telha, pedra britada ou argila expandida. O substrato deve ser trocado no máximo a cada 3 anos. A adubação pode ser química ou orgânica, sendo bem aceitável a utilização das duas modalidades de forma intercalada, diminuindo as doses no inverno. A rega deve ser muito controlada, pois a bicolor não gosta de muita umidade no substrato, que faz apodrecer as suas raízes.
Híbridos
É uma espécie muito utilizada para a formação de híbridos. Exemplificando, vale citar os seguintes híbridos, registrados na Royal Horticultural Society - RHS:
C. Leander (do cruzamento com a C. lueddemanniana); C. Pandora (do cruzamento com a C. trianae); C. Clarkiae (do cruzamento com a C. labiata); C. Noble (do cruzamento com a C. walkeriana); C. Iris (do cruzamento com a C. dowiana); e, C. Wilsoniana (do cruzamento com a C. loddigesii), dentre inúmeros outros.
Um dos mais modernos e famosos híbridos, que conta com 50% da Cattleya bicolor, é a Blc. (Brassoleliocattleya Crowfield), cujo clone 'Mendenhall' recebeu um HCC (High Comand Certificate), da AOS, de 78 pontos, em 1999, tendo o clone "Palm Bay" obtido um AM, da AOS, de 83 pontos, em 2003. O primeiro clone citado ('Mendenhall') foi meristemado (clonado) e reinou na capa de dezenas de revistas especializadas, em todos os continentes (vide foto no final).
Referências de consulta
Brazilian Orchids - http://www.delfinadearaujo.com
Bibliografia
Withner, C. L. 1996. The cattleyas and their relatives
Guido J. Braem - Cattleya The Brazilian Bifoliate Cattleyas
J. A. Fowlie - The Brazilian Bifoliate Cattleyas and Their Color Variety


Cattleya bicolor


Cattleya. bicolor
Cattleya bicolor


Cattleya tenuis.
Durante muitos anos foi classificada como uma variedade da Cattleya bicolor, tornando-se espécie em 1983.

Blc. Crowfield, 'Mendenhall', AM/AOS

Texto: 
Fernando Setembrino
Fotos:
C. bicolor- fotos e cultivo de Fernando Setembrino
C. tenuis - foto e cultivo de Eduardo E. Takeshito Yamaguchi
Blc. Crowfield 'Mendenhall" - foto obtida no site www.hiloorchidsociety.org (com autorização do autor)
Ilustração de Cattleya bicolor - Sylvia Amélia Hungria Machado



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