NUTRIÇÃO MINERAL: CONCEITOS BÁSICOS
E AVANÇOS EM NUTRIÇÃO E FERTILIZAÇÃO
Donizetti T. Rodrigues

 

No dia 14 de maio de 2009, recebemos o Engº Agrº Donizetti Tomaz Rodrigues, com mestrado em Nutrição de Orquídeas e terminando seu doutorado em Novas Técnicas de Germinação de Orquídeas em Meio Estéril. Desta vez a palestra foi sobre "Nutrição Mineral: conceitos básicos e avanços em nutrição e fertilização".
Donizetti começou sua palestra comparando as necessidades das orquídeas na natureza com as de um orquidário. No orquidário, na maioria das vezes, usamos substratos praticamente inertes e as orquídeas não encontram nessas condições os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento e crescimento, tornando obrigatória a aplicação de fertilizantes; químicos e, ou, orgânicos.  Os nutrientes estão diretamente ligados aos diversos processos fisiológicos e podem também exercer  funções estruturais, sendo essencial um bom manejo na aplicação dos adubos.
Os nutrientes podem ser classificados de diferentes maneiras:

  • orgânicos (C, N e O) e minerais (N, P, K, Ca, MG, S, Fe, Mn, Zn, Cu, Mo, Cl, Ni e B);
  • macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg e S), micronutrientes (Fe, Mn, Zn, Cu ,Mo, Cl, Ni e B) e os benéficos (Ex: Si, Na e Co).
  • estruturais, energéticos e de ativação.
  • Imóveis e móveis. Quando faltam os imóveis os sintomas de deficiência surgem nas regiões de crescimento e a planta parar de crescer, já nos móveis, a planta transfere do lado mais antigo para os mais novos, apresentando sintomas de deficiência na região mais velha da planta, folhas traseiras em simpodiais e baixeiras nas monopodiais.

O Nitrogenio (N) é um elemento móvel e sua deficiência provoca amarelecimento uniforme das folhas de trás para frente na planta, posterior perda das folhas e redução do crescimento. A deficiência de Fósforo (P), que também é móvel, provoca crescimento reduzido com as folhas verdes escuro e/ou avermelhado (acúmulo de antocianina). O Potássio (K) é também um elemento móvel e sua falta causa amarelecimento e necrose das folhas, as folhas da traseira da planta podem apresentar pintas pretas na superfície superior e a planta tem maior suscetibilidade ao ataque de doenças e pragas. A deficiência de Magnésio (Mg), elemento móvel faz com que as folhas apresentem clorose internerval, as pontas das folhas cloróticas, esbranquiçadas e dobradas (enroladas) para dentro.
Já a falta dos nutrientes imóveis causa: Cálcio (Ca) - morte de brotos e pontas de raízes, crescimento restrito de raízes; Enxofre (S) - amarelecimento geral e uniforme da planta; Boro (B) - morte de brotos e raízes, deformação de flores, engrossamento de folhas e das pontas das raízes; Manganês (Mn) e Ferro (Fe) - folhas com clorose ao longo das nervuras e necrose , na falta de ferro a clorose é mais intensa; Zinco (Zn) - folhas muito pequenas, entrenós curtos, brotação intensa, morte de gemas e da planta.
Um ponto importante é que a maioria dos fertilizantes líquidos não contem  Ca.  Isto se deve ao fato do Ca precipitar-se facilmente na presença de sulfato e fosfato. Quando se utiliza fertilizantes hidrossolúveis que não contenham esse nutriente, o mesmo deverá ser suprido por outra fonte que pode ser: nitrato de cálcio; silicato de cálcio, que também fornece silício (elemento benéfico importante para as orquídeas) e fertilizantes orgânicos. O fornecimento de cálcio na forma de calcário deve ser feito com cautela, uma vez que o mesmo eleva o pH do substrato precipitando alguns nutrientes, principalmente Fe e Zn.
Um sistema radicular bem formado é essencial.  É através das raízes, e de seu velame, que se dá a absorção dos diferentes minerais e o ideal é que a adubação seja feita no início da manhã. Quando se fala em “adubação foliar” temos a falsa idéia de que ocorre grande absorção pela superfície das folhas, o que não é verdade.  A maior parte da absorção dos nutrientes ocorre através das raízes. É preciso cuidado na concentração da solução contendo fertilizantes minerais, pois estes são sais, e mesmo em baixas concentrações podem queimar pontas das raízes, danificando-as.  Recomenda-se uma boa “lavagem” (só com água e abundância desta) pelo menos uma vez por mês para a retirada do excesso de sais acumulados pelas várias adubações.  As flores são mais sensíveis ao acúmulo de sais, a superfície das pétalas e sépalas ficam facilmente necrosadas se o adubo cair sobre as mesmas. 
Classificou os adubos minerais em: sólidos (hidrossolúveis, granulados de liberação lenta) e líquidos (Soluções e suspensões), e em orgânicos: sólidos (simples ou misturas) e líquidos (simples e compostos) e em organo-minerais (mistura dos dois).
As vantagens dos minerais são: composição conhecida, os nutrientes estão prontamente disponíveis, facilidade no uso,  diversas formulações e as desvantagens são o alto teor salino, formulações desequilibradas, acúmulo de sais e incompletos.
Já as vantagens dos orgânicos são: liberação lenta, formulações mais equilibradas, presença de substâncias estimuladoras, baixa freqüência de adubações, baixo índice salino. As desvantagens são: composição desequilibradas e variáveis, poucas formulações, pH elevado, deficiência de Fe e Zn, causando precipitação e aumento do pH. Aumento de lesmas e caramujos.
Na adubação mista as vantagens são: alta disponibilidade inicial de nutrientes e depois uma liberação lenta, maior equilíbrio, substâncias estimuladoras complexas (ácidos húmicos). As desvantagens são: interação entre os nutrientes (antagônicos), composição variável, de difícil aplicação.
Donizetti mostrou-nos, com fotos, diversos exemplos de plantas com variados adubos e seus efeitos, que foram parte dos seus experimentos.  Orientou-nos para sempre seguirmos a orientação do fabricante pois, se a deficiência de alguns dos micronutrientes pode causar muitos danos, o seu excesso também pode ser prejudicial. Hoje existem no mercado brasileiro algumas formulações específicas para orquídeas e bem equilibradas, como é o caso do fertilizante B&G, resultado dos estudos feitos por Donizetti.
Uma receita de adubo orgânico: 2 kg de torta de mamona, 1 kg de farinha de osso e 500 g de cinza (não pode ser cinza de churrasco devido a alta salinidade). Aplicar 1/2 colher de sopa de 3 em 3 meses no canto do vaso, próximo a frente de crescimento da planta ou em um saquinho pendurado sobre a planta. Para os adubos minerais líquidos, a recomendação é que se dilua 1 g do fertilizante por litro de água, uma vez por semana no verão e a cada 15 dias no inverno. Suas observações, na literatura cientifica,  tem mostrado que a quantidade de Cloro adicionada a nossa água de rua não é prejudicial.

Donizetti disponibilizou seu email caso tenhamos alguma dúvida sobre o assunto: donitom@yahoo.com.br